A Reunião 06

Posted by Gio Gomes in

Era um início de manhã frio e ainda escuro, e já que não voltávamos a dormir, continuamos nossa conversa, acabando por falar sobre uma reunião em que eu estava dias atrás. E finalmente caminharemos na direção do início deste breve relato. Como um filho das montanhas em uma cidade estrangeira, o governador me convocara para tal reunião, onde muitos poderosos encontravam-se, inclusive meu companheiro de viagem, o príncipe Thanaar. Elegeríamos por meio de voto o capitão que lideraria um exército reunindo guerreiros subordinados aos poderosos e governantes presentes ali. O interesse de nosso amigável forasteiro estava em certos detalhes desta reunião, especialmente nas palavras e atitudes do homem que presidia tal concílio. Logo que cheguei à sala arredondada, de teto abobadado e de detalhes ricamente decorados, olhei para cada um dos membros do conselho ali formado. Sorri ao notar a surpresa de meu companheiro de viagem, Thanaar, quando seus olhos me encontraram. O tal presidente do concílio era um homem de muita idade, mas forte, e seu olhar era de forte determinação.

-Amwe, ele usava algum símbolo? Consegue lembrar de alguma insígnia que ele carregava? Perguntou-me o forasteiro, parecendo excitado.

Respondi, buscando os detalhes na memória.
-Verdade. Ele tinha símbolos, bordados em seu manto e forjados em seu escudo. Punho em riste sobre um rio vermelho, emoldurados em um retângulo.

Dito isto, ele sorriu longamente, e explicou-me serem aqueles os símbolos de sua própria família. Pareceu-me satisfeito com tal certeza, e sua origem nobre parecia contrastar com a humildade de suas palavras. Procurou arrumar os cabelos com as mãos e sentar-se dignamente na cadeira, e ainda assim pareceu desajeitado o forasteiro, em busca da postura que não possuía para dirigir-se a mim da forma que considerava adequada. -Alguns dos filhos dos nobres tomam caminhos diferentes, e eu sou apenas um entre eles que escolheu o conhecimento, perdendo o respeito de minha própria família.
-Mas não me sinto abandonado, nem acho que a vida me tenha sido injusta... Posso dizer que alcancei muito mais do que jamais imaginei, pois minha obra está escrita em muitos livros, e muitos destes estão espalhados pelas cidades de nosso reino. Claro que copistas aproveitam estas oportunidades para colocar seus próprios nomes nas obras, mas não importa a fama. O que importa é o resultado.

E então suspirou profundamente o forasteiro, pedindo depois que eu relatasse os movimentos de seu pai, suas palavras, e a cada gesto que conseguia reconhecer, balançava a cabeça afirmativamente, orgulhoso. Era bastante sincera sua admiração pelo pai, e até contagiante, pois passei a respeitar mais o homem por causa de seu filho. Vigoroso e hábil com as palavras o velho homem presidiu o conselho com a sabedoria de um Rei, deixou que cada um governante presente colocasse sua opinião, e empatada que estava a assembléia, coube ao meu companheiro de viagem, o Príncipe Thanaar, o voto derradeiro.




*Este é o segundo episódio da terceira parte deste conto. Seguem os links para as outras partes:

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