Este é um conto dividido em 4 partes, segue o início da quarta e última parte.
4 - A "não-tão-épica" batalha.
Ao ilustríssimo Senhor Lathanaur.
Confesso que não esperava ter meus serviços novamente requisitados tão cedo. Mas vejo que ficou curioso quanto ao grupo que acompanha o príncipe, talvez tenha colocado os olhos em alguns deles e então sua mente guerreira conseguiu encontrar o que só olhos treinados conseguem ver: Potencial. Mas veja, não quero lhe desapontar com meus apontamentos (ah, ah perdão o trocadilho tolo), mas todos os companheiros do príncipe são versados nas artes do combate, cada um à sua própria maneira. Devo dizer que as canções dos viajantes nas praças passam próximo à verdade. Acredito que encontramos justamente o ponto onde as coisas deixam de ser humanas e passam a crescer abruptamente na direção do impossível. Mas vamos deixar isso para o relato mais adiante.
Fato é que o príncipe e seus amigos não puderam sequer retornar à hospedaria. Notei que o lugar onde a capitã recebera o grupo estava infestado de guardas já ao fim da tarde. Ouvi algumas conversas, e entendi que esperavam o retorno do príncipe. Qualquer pessoa atenta não retornaria ao lugar, e creio que atenção é o que não falta a Thanaar. O que parecia ser o líder do bando estava sentado no salão, tomando um tipo de chá junto a dois guardas, tinha um grande ferimento em seu lado, cuidadosamente tratado com bandagens. Dava ordens, mas falava baixo, pois o ferimento parecia recente e não podia fazer muitos movimentos sem que reclamasse de dor. Havia até um herbalista a postos para tentar diminuir a dor do homem com seus preparados.
Imaginei que o príncipe estava fora das muralhas da cidade, e saí em busca dele e seu grupo, encontrando-os adiante na estrada. Você deve imaginar que corri algum perigo nessa breve e furtiva perseguição, mas acredite-me, sobrevivência significa mais do que destreza, e sei que fui descoberto, mas por algum motivo que não se pode enxergar, pouparam-me. Estive por perto ainda assim, sentindo que era vigiado enquanto vigiava. Talvez por isso, o grupo de Thanaar tenha percebido e se preparado antes que eu percebesse o primeiro indício de que a ameaça chegava. Montaram acampamento em lugar seguro, uma ou duas horas de viagem adiante.
Este pequeno espaço de tempo foi o suficiente para observar cada um deles, e fornecer um relatório detalhado à altura de seu desejo. O primeiro, Laurenber Schiaferinni, dispensa apresentações, mas sinto-me no dever de ao menos lhe fornecer alguma descrição física: É um ancião alvo e de longa barba. O segundo é um homem das montanhas, chama-se Amwe, e parece fazer jus à fama dos monteses, pois tem grandes proporções e possui grande força física. A mulher pálida e de baixa estatura chama-se Alish e antes de presenciar a batalha que relato adiante ela realmente pareceu inofensiva. E por fim há o homem-réptil, Tzaark, que não é um escravo de Thanaar, e sim um guerreiro réptil tão habilidoso quanto violento.
Peço que não se alarme com a palavra "ameaça", e quanto ao meu bem estar o senhor pode ficar tranqüilo, pois bem sabe que sei bem proceder neste tipo de situação. Não posso dizer o mesmo quanto ao bem estar de Thanaar. O que aconteceu com o acampamento do príncipe você deve imaginar... Foram covardemente atacados ao cair da noite.
*Este é o primeiro episódio da quarta e última parte deste conto. Seguem os links para as outras partes:






