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Thanaar então desceu do cavalo e fincou sua espada diante da lança.
-Eu não vou dizer que entendo a situação do seu povo, mas para você e para os que restaram de sua aldeia eu faço uma oferta.
Tzaark ergueu-se lentamente, observado com cuidado pelos inimigos e sem perceber nenhum movimento hostil vindo do guerreiro branco com quem falava:
-E qual é a oferta?
-Vocês serão livres das guerras, da violência. Poderá determinar sua região, e
serão livres ali. O que acha? Um pequeno tributo pelo que produzirem será suficiente para garantir nosso trato.
-Você está dizendo que dará liberdade para nós, o problema é: Todos os outros que não terão esta mesma liberdade. O que desejo é liberdade para todos.
Thanaar balançou positivamente a cabeça e continuou:
-Bem, esta é uma coisa que não vou garantir, porém, você pode deixar para trás sua liderança e me acompanhar em busca de algo que talvez traga esse sonho que você tanto deseja.
-Que tipo de coisa isso pode ser? Perguntou ele, incrédulo.
Claro que só havia uma coisa naquele reino capaz de realizar o sonho de liberdade que o povo de Tzaark "Ganga" tanto desejava. Essa coisa era chamada de "Sabedoria" e claro que a "Sabedoria" é algo difícil para uma mente jovem como a sua compreender. Mas deixe-me dizer algo: Todos os que habitavam aquela região sabiam da existência dela, e sua simples menção por um guerreiro conhecido como Thanaar já seria suficiente para qualquer uma criatura dotada de coragem o acompanhasse na jornada.
-Ganga, eu ofereço a busca pela Sabedoria. Talvez nunca tenha ouvido falar a meu respeito, mas um velho amigo o tem acompanhado desde sua fuga, ele viajará conosco.
Thanaar se achava justo, mas cabia a ele oferecer acordos e deter o poder de dar ou tirar a liberdade de alguma criatura viva no mundo? Quem era aquele homem de armadura branca para dizer a Ganga o que deveria fazer, impor condições ou oferecer acordos? Esse desejo de domínio não era compartilhado por Tzaark, e ele então resolveu colocar as coisas de outra forma:
-Não. -Minha proposta é um embate. Que lutem um de meus irmãos contra um dos seus homens, qualquer um que deseje. Aquele que sair vitorioso no combate fará propostas, e então teremos paz entre nós dois, e poderá me chamar por meu nome.
E assim aconteceu, reunidos em uma grande roda humana, Tzaark "Ganga" e Thanaar assistiram a seus valentes guerreiros em combate. Cruzavam suas espadas com vigor e fúria raramente vistos, apesar da indiferença de nosso ex-escravo. Seus olhos perdiam-se no passado, onde podia claramente ver a si mesmo, lança em punho, e homens brancos lançando sortes ao seu redor. Seu adversário do outro lado era um igual. Pediu perdão a todos os Deuses pelo que faria, e em um milésimo de segundo sua lança estava lá, cravada no peito de alguém que não era inimigo. Pensou em seu íntimo que era mais infeliz que o pobre agora morto, porém livre de qualquer opressão. Por fim o jovem que Tzaark havia escolhido entre os aldeões sobreviventes derrotara por completo seu adversário, que desfalecera em sincronia com o sonho, lança cravada no peito. Thanaar permaneceu em silêncio, e "Ganga", acuado no meio da roda de seus inimigos permaneceu impassível junto a seu jovem pupilo.
-A minha proposta é que vocês vão embora deste campo agora, e que a luta entre nossos povos então continue. Não vamos negociar nossa liberdade, ela não tem preço. Quanto à jornada, peça a meu velho amigo que me encontre por si mesmo, ele já o fez outras vezes, sem deixar que o visse.
Corria Tzaark pelo matagal, determinado, resfolegando. O peso da lança de seu pai à mão direita não chegava a incomodar, e lançou a arma ao ar, à procura do inimigo. Ouviu quando a arma atingiu o alvo, e o alcançou a ponto de vê-lo cambaleando, segurando com uma das mãos a lança atravessada no ombro. Alguns metros adiante seu velho amigo humano recostava-se a uma árvore, ferido, mas esforçando-se a estampar no rosto um sorriso.
Deu cabo da vida do inimigo e aproximou-se do velho:
- Está a salvo Laurenber. E minha dívida contigo está paga.
- Espero mesmo é contrair muitas dívidas contigo, irmão. Laurenber respondeu, aliviado.
E nosso bravo guerreiro Tzaark, o homem-réptil, carregou o amigo ferido até o acampamento.
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on Quarta-feira, Setembro 22, 2010
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o homem réptil
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