Entrando na cabana observou o homem agonizando em sofrimento, e pediu às mulheres algumas amêndoas de Andiroba e outras ervas rasteiras que tinha notado em meio à vegetação do lugar. O silêncio preencheu a cabana de juncos onde estavam quando o montês derramou seu elixir sobre o doente sob olhos preocupados de Amana. O que a mulher enxergava na perícia de Amwe? Não havia povo tão cuidadoso e metódico, o montês tinha se concentrado em cada movimento, derramando seiva desta ou daquela erva no pote de barro onde preparava a mistura: Admiração e respeito, sim, devem fazer parte do que desejamos para o que se chama Amor. Depois que ministrou ao idoso, acompanhou os movimentos do doente com atenção. Mas infelizmente não há cura para todos os males, por maior que seja nosso esforço em saná-los. O dia se despedia e levava junto o velho e cansado aldeão. E assim, a tristeza tomou conta de todos ali, ferindo Amana justamente em sua maior sensibilidade, o amor que cultivava por sua tribo. Entre todos seu lamento seria o mais dolorido, resumindo o espírito de todas aquelas pessoas com ternura e respeito pela própria morte.
Participando como espectador daquele tão doloroso momento, foi incapaz de tirar os olhos da mulher, que caminhou lentamente e aos prantos da cabana até o centro da aldeia. Enquanto caminhava ninguém ousou sequer levantar os olhos. Era um momento ritualístico. Chorou alta e amargamente.
-Eu vejo... Nosso fim...
E foi arrancando os colares e braceletes shamanísticos um a um, ainda chorando, e dirigindo estranhas palavras sacerdotais na direção do céu, que retribuiu sua angústia, tornando-se de nublado a chuvoso. Ao arremessar o último colar ao chão, tomou uma adaga e fez um corte diagonal na palma da mão.
-Não precisaremos mais de shamãs, e sim de guerreiros.
Dito isto, toda a tribo, alguns aglomerados ao redor da mulher, outros dentro de suas próprias cabanas, colocaram-se a prantear. A morte do ancião significava mais do que Amwe podia compreender.
Dignamente, o montês deixou a triste cabana, sentando-se pensativo ao lado da jaula improvisada onde estavam os outros companheiros de viagem, e talvez pela tristeza intensa que se abateu sobre todos, nenhum nativo preocupou-se em trancafiá-lo novamente. Alta noite já se ia quando o chefe espiritual da aldeia achou por bem libertar os outros. Estavam livres.
-Vão, e levem o espírito da morte com vocês.
Começou a preparação do grupo de Thanaar para a viagem até algum lugar onde pudesse ser montado acampamento, mas o coração de Amwe ficou inquieto. Foi até Laurenber para algum conselho.
-Senhor... Desejo demorar-me alguns minutos aqui.
Os olhos do ancião logo compreenderam que algo diferente acontecera:
-Sim, meu jovem. Estaremos logo adiante. Apenas não fique mais que o necessário.
E com essa atitude, podemos até dizer que havia uma semente para o amor em Amwe, pois encontrou no espírito de Amana algo que fazia parte de si mesmo. Faltava a ela a compreensão do que havia ali acontecido, pois seu sofrimento era forte e bloqueava seu coração. O desejo do montês de aplacar o sofrimento era maior do que a dor. Então pôs-se o montês a procurar amana, até que a encontrou sob a chuva, desolada e triste. Colocou-se diante dela, mas faltaram-lhe palavras, por não entender perfeitamente o que tinha acontecido. Ela abriu os olhos lentamente.
-Não foi embora com seus amigos... Por quê?
O montês sorriu com certa tristeza: - Sou um curador, não posso perder a vida de um homem e a alma de uma mulher no mesmo dia.
Ela buscou as mãos de Amwe com as suas:
-Então apenas me diga que não foi minha culpa.
-Não, não foi... Respondeu o montês com ternura.
A mulher ergueu-se lentamente, soltando com dificuldade as mãos daquele que não conseguiu deixá-la para trás na tristeza.
- Ainda vamos nos rever, homem das montanhas.
Amwe sentiu então aquela pequena centelha crescer, indicando mais do que a presença da misteriosa mulher, indicando seu próprio sentimento. O que sentiu ali era amor.
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